Moçambique já arrecadou mais de seis milhões de dólares através do mercado de créditos de carbono, posicionando o seu património florestal como uma fonte inovadora de financiamento. Contudo, especialistas reunidos no Fórum de Financiamento Climático, em Maputo, alertam que o desmatamento, a fiscalização deficiente e a escassez de investimentos de longo prazo continuam a limitar o real potencial deste mecanismo no país.
Durante o encontro, que debateu as finanças verdes e a gestão sustentável das florestas, foi destacada a necessidade urgente de integrar os investimentos na agricultura e no sector florestal para reduzir a pressão sobre os recursos naturais. O engenheiro florestal Aristides Muhate defendeu a implementação de uma fiscalização participativa integrada com o maneio comunitário, além de investimentos contínuos que beneficiem directamente as comunidades locais que dependem da floresta.
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De acordo com o especialista, a agricultura moçambicana ainda recorre a métodos rudimentares, caracterizados pela baixa utilização de tecnologias, falta de adubação e assistência técnica limitada, factores que impulsionam o desmatamento. A modernização agrícola é vista como um passo crucial para aliviar a pressão sobre as florestas e garantir a sustentabilidade dos projectos de conservação.
Outro ponto crítico reside na conformidade com os padrões internacionais de certificação. O especialista em mercado de carbono, Luís Nhamuchua, alertou que qualquer falha no ciclo de certificação pode comprometer a credibilidade dos créditos gerados, defendendo uma maior capacitação dos intervenientes nacionais para adaptar estes processos à realidade moçambicana.
O Director Nacional do Financiamento Climático, Albano Manjate, confirmou o encaixe de seis milhões de dólares, mas sublinhou a contradição de transaccionar créditos de conservação enquanto o desmatamento persiste, o que coloca em risco a credibilidade e o preço dos créditos no mercado internacional. O Governo estuda agora outros mecanismos de financiamento, incluindo a conversão da dívida para a conservação ambiental. O evento culminou com a criação de uma carteira nacional de projectos para orientar a captação de recursos sustentáveis no país.