A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) planeia posicionar-se como o motor principal para a industrialização e atracção de investimentos em Moçambique. O posicionamento foi defendido pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa, Tomás Matola, durante a Conferência Internacional de Investimentos de Tete, onde se debateu o papel dos recursos naturais no desenvolvimento económico.
De acordo com o PCA, a garantia de segurança energética é fundamental para transformar o potencial do país em actividades produtivas e emprego. Mesmo enfrentando desafios de produção, a HCB tem priorizado o mercado doméstico em detrimento das exportações. Em 2025, ano caracterizado por uma crise de baixa produção, a percentagem de energia canalizada para o consumo interno subiu para 56%, comparado com os 27% registados em 2020. Em contrapartida, a África do Sul recebeu 39% e o Zimbabwe 5% do fornecimento.
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Para responder à crescente procura nacional — estimada em 1.500 megawatts adicionais até 2030 apenas para a electrificação doméstica — e aproveitar o défice na região austral, a HCB anunciou um robusto programa de reabilitação moderna. Com equipamentos que ultrapassam os 50 anos de operação, mas que ainda mantêm uma eficiência operacional acima de 95%, a empresa prevê investir 574,6 milhões de dólares norte-americanos na modernização da sua central geradora.
As obras de reabilitação profunda, que incluem a substituição de turbinas, intervenções nas subestações de Songo e Matambo e a estabilização de encostas, deverão arrancar em Julho de 2028. O processo será faseado por grupos geradores, com duração estimada de 12 a 13 meses por unidade, prevendo-se a conclusão global para 2034. Este investimento visa estender a vida útil do parque electroprodutor por mais de 30 anos.
O projecto promete também dinamizar a economia local, uma vez que as cláusulas contratuais com os empreiteiros internacionais exigem que pelo menos 30% das aquisições de bens e serviços sejam feitas a empresas moçambicanas. Historicamente, a HCB tem demonstrado forte impacto macroeconómico, tendo canalizado cerca de 2,3 mil milhões de dólares ao Estado moçambicano em dividendos desde 2007, além de impostos e taxas.
Paralelamente, a HCB está a diversificar a sua matriz energética com o projecto de uma central fotovoltaica de 400 megawatts, dividida em duas fases de 200 megawatts, e com os estudos para a Central Norte de Cahora Bassa. No plano social, destacam-se iniciativas como a construção de uma estrada de 117 quilómetros entre o sul e Matambo, a conclusão do Hospital Distrital de Cahora Bassa e o projecto agro-pecuário “Transformar” em Vila de Estima, que já garantiu a abertura de mais de 50 furos de água para a comunidade local.
