O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, considerou que a Constituição do país não é democrática e contribui para a instabilidade política nacional. Durante a abertura de um seminário de capacitação focado no seu grupo parlamentar, o dirigente reafirmou a oposição categórica do seu partido a qualquer eventual revisão constitucional destinada a permitir o alargamento dos mandatos presidenciais.
Segundo o líder da oposição, o modelo constitucional angolano é atípico por prever a eleição do Presidente da República de forma indirecta, através do cabeça de lista do partido mais votado nas eleições legislativas. Costa Júnior sustentou que a concentração do sufrágio num único boletim de voto limita a separação e independência entre os órgãos de soberania, gerando incertezas jurídicas e políticas.
Conteúdo Relacionado:
Com a aproximação das eleições gerais agendadas para 2027, o actual Presidente angolano, João Lourenço, cumpre o último ano do seu segundo mandato, estando impedido pela lei de concorrer novamente sem uma alteração prévia à lei fundamental. O presidente da UNITA reiterou que o país vive o encerramento de um ciclo político e apelou à assunção de um pacto de estabilidade para salvaguardar a ordem democrática.
Adalberto Costa Júnior criticou igualmente a gestão dos últimos dez anos de governação, apontando o aumento da pobreza e a existência de censura nos órgãos públicos de comunicação social, onde afirma não ter espaço de antena. O líder oposicionista concluiu sustentando que a actual governação não apresenta soluções para os desafios sociais e económicos que a população angolana enfrenta.
