Moçambique conta actualmente com cerca de 40 médicos psiquiatras, um número considerado insuficiente para responder às reais necessidades da população na área da saúde mental. A informação foi avançada por uma profissional do sector, que reconhece avanços na expansão dos serviços, mas assume que o país ainda se encontra distante de alcançar a cobertura universal.
Segundo a especialista, a prestação de cuidados continua a enfrentar sérios obstáculos, sobretudo associados ao estigma e à discriminação. Estes factores afectam não apenas os doentes, mas também os próprios profissionais da área. A situação é agravada pelas limitações crónicas nas infra-estruturas hospitalares e pela escassez de recursos alocados ao atendimento especializado.
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A fonte explicou ainda que o trabalho na área de saúde mental exige elevada responsabilidade e está sujeito a altos níveis de pressão, elementos que frequentemente originam situações de esgotamento profissional (burnout) e frustração. Diante desse quadro, defendeu a urgência de implementar medidas de apoio emocional e a melhoria das condições de trabalho para os profissionais de saúde.
Apesar das limitações de quadros médicos especializados, destacam-se progressos na capacitação de técnicos de psiquiatria. Anteriormente concentrados apenas a nível provincial, estes técnicos — formados a partir de quadros de enfermagem e agentes de medicina — encontram-se agora presentes em todos os distritos moçambicanos, estando capacitados para diagnosticar e tratar as patologias mentais mais frequentes.
A expansão técnica representa um passo significativo para a descentralização do atendimento médico, permitindo maior proximidade junto das comunidades. No entanto, reitera-se que a capacidade de resposta global do sistema de saúde pública continua aquém de satisfazer a procura crescente no país.
